Silêncio

Tenho coisas terríveis pra te contar. Aliás, nem deveria. Sabe um daqueles segredos que se guarda com todo o primor? Estou repleta delas. In-con-fes-sá-veis. Assim mesmo, com pausas, vírgulas e tudo mais. Ah, mas devo? Contar detalhes que guardei… curioso. Ganho o quê? Ah, pouco me importa. Quero mais é falar. Vai me ouvir, porque são esses segredos maliciosamente guardados que instigam e atiçam que ouve. E quem conta. 

Ah, e se eu dissesse que quero fazer coisas terríveis com você? Te assusta? Nada escandaloso. Tudo um grande segredo. Vai dizer que por baixo dessa sua pele alva, seus olhos amendoados e toda essa primazia, não tem um grande segredo que te consome cada entranha? Tenho dó dos que não têm. Mas nós temos esse ar de quem carrega uma bela de uma história. Carrego mais. 

Rá, posso me gabar. Quem me vê nem suspeita. Nadinha. Inconfessável, me comporto como tal. Sem uma mancha no meu bom tom. Talvez uns 4 segredos. Deliciosamente guardados. Mas se não tem nenhum segredo, bem que gostaria, não é? Qual a graça de ter uma vida toda limpinha? Vai dizer que a sensação de ter uma coisa sua e tão somente sua não é maravilhosa? Dou meus risos à noite. Às sombras. Choro escondida. Gargalho no banho. E se me perguntam no que penso, logo desconverso. É meu. Minhas lembranças. E ninguém me julgará por elas. Por isso as guardo. 

Mas tudo é negociável. Troco confissões de velhos segredos por novas coisas a se guardar. 

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