Inverso

Isso me consome. Me deixa à um fio de vida. Me tira todo o fôlego. Esse amor, paixão, desejo, seja lá como queira chamar. Isso me dilacera. Me aflige. Machuca. Arde. E como você tem coragem de dizer que o amor nos salva, se é tão somente isso que me fere? 

Estou sentado na beirada de mim mesmo. Na ponta do precipício. Eu olho pra mim e quão mais fundo me olho, mais te enxergo. Bordada em mim, intrínseca e cruelmente me habitando sem a menor licença. Pintada à cor de sangue em minhas paredes.

E se você vem, como num ato de aliviar-me deste peso que é te almejar, me afogo da sua presença. Tenho que me esquivar de tudo que você é só pra que eu ainda possa me ser. Ínfima e tolamente, mas ser o que resta de mim enquanto você está perto. Mas e se não vem? Se não vem eu morro. Definhando em passos largos. Coibido num canto escuro de mim mesmo. Me retomo, lembro quem sou e, como um vento que me bate a cara, lembro que pareço tão ausente sem você.

Como se o amor fosse um devorador. Eu, por ser quem te quer, te engoli. Me enchi de você. Quis preencher cada espaço meu com a beleza que te tem. E ele me comeu também. Mastigou minha capacidade de sobreviver, de ser mais que um alguém que quer, e tão somente te quer. Então me vejo preso entre não aceitar me perder, e o não saber ser quem não te quer.

Te perder entre meus dedos. Um eterno escape, e nunca sei se te seguro ou me agarro. Mas, escuta, tenta vir. E quando vier, me traz de volta.

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