Regeneração

As coisas aconteceram numa pressa e continuidade pulsante. Mas, de repente, me peguei paralisada, num sopro de estadia, num perceber-me onde estou sem saber se estou. Eu quero dizer que, na verdade, sei bem onde estou e da última vez decidi, de fato, estar em algum lugar. Mas tomo meus caminhos e tenho que segui-los sem tempo para pensar sobre. Tenho que me manter ocupada de constantes e árduas tarefas para que o medo não tenha emersão. Me ocupo dos dias, encho-os de linhas, bordas e desenhos. Ocupo-os sem grandes filtros. Então, quando todos os meus receios foram subterrados pela falta de tempo, a insônia me toma, o vazio me ocupa, uma hora de ócio se infiltra e toda a minha construção fragmenta-se, desmancha-se, todo o zelo de me manter segura de mim se esvai. Fico novamente presa no meu caos, na minha incerteza, lutando com meus excessos e ausências. Toda a minha rotina se desmancha num emaranhado que me sustenta. Esse emaranhado que enreda tudo que realmente sou, um caos, uma aflição agonizante. E sem saber como me sustentar, construo minhas pontes cada vez mais pra dentro, mais inertes em mim, mais ligadas a essas tamborilantes incertezas de quem sou. Pois meu caminho já não é lúcido e meus passos já não me levam pra onde almejo. Pois o medo me paralisa e se não tomar o primeiro caminho que me parecer menos caótico, me prendo e afinco exatamente onde estou: dentro do pânico que é existir em mim.

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