Sem rima

Os dias passaram mudos. Como se dentro de mim tudo berrasse, mas nenhum som sequer pudesse sair. Abri meus cadernos todos os dias,mas palavra alguma parecia fazer sentido. E, logo eu que sempre me mantive próxima à sanidade por fazer das palavras meus remédios, passei dias presa na agonia no não poder escrever nada. E não escrevo ainda. Me sinto presa. Costurada. Com pesados sentimentos me ocupando,mas nada que seja possível de expressá-los. Acho que comecei a morrer. Uma dessas mortes que nos enlouquecem primeiro. Minhas mãos que rabiscam qualquer coisa nessa papel meio amassado, não podem ou não sabem mais traduzir o caos que me habita. Comecei a morrer de dentro pra fora. Como se estivesse imersa num mar de desolação ao me dar conta que não me escapo. Não tenho saída de mim. Presa, eternamente, nesse fugaz temor que é me ser.

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