Fio

Quebrei seus cigarros. Num ato insano pra me fazer livre de você.

Quebrei os meus cigarros. Num ato desesperado de me fazer parar de te querer. E eu que nem fumo. Mas seus dedos ficaram encantadoramente longos por entre o cigarro aceso. Quis fumar pra ver se podia te consumir.  E mesmo que sequer soubesse tragar, te aspirei numa sórdida necessidade de te ter. Te engolir. Te ser, por dentro, por fora, do avesso.

Eu que apaguei a brasa na sua foto. Queimei o lenço seu. Joguei a foto pela janela, mas continuei a acender e a te fumar. Porque, logo eu que sempre detestei esse cheiro incômodo, desejei acender cada um dos seus cigarros. Porque, logo eu que não me permito essas drogas, acabo por me enganar com a fumaça.

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