Espinhos mortos

Na cena congelada da TV. Somos nós, numa estranha forma de não sermos, nesse tom sepsia, mudo, frio.

Porque tem tanto não-amor pelo mundo. As pessoas dizem amar mais que a vida, mas a verdade é que amam tão somente a si próprias, não sabem lidam com a ausência. São egoístas. O amor é uma exclusão cruel, onde cada um ama o agradável.

E eu que não deixei que as flores mortas fossem vistas. Não arranquei as pétalas quase murchas das rosas. Eu que não me permiti ao egoísmo insólito do amor.

Presa naquele ato afetuoso, puro e cruelmente real, onde amei o ser amado, e nunca a mim. Numa ânsia de ser tão amor, sem o egoísmo, que não havia espaço pra mim. Me alimentei desses afetos. Por tempos, consumi toda a minha necessidade de dar amor, e sem saber ao certo o que fazer com cada pedaço sórdido desse fogo, eu me queimei, me feri, me obriguei a costurar em mim tudo o que sou e que seria capaz de dar. Bordei na pele o fracasso de não permitir me ser em outro alguém. De não exigir me ver em outro corpo, pois sequer suportaria. Sequer me caberia a audácia de estar em qualquer outro lugar que não dentro de mim.

Meu amor é uma flor morta. Uma pétala caída entre um desafeto apaixonado. .

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