Es.trago

Estamos mortos

 

Sem a cor dos dias quentes

Há mais tempo que se pode supor

Mortos de frio, de fome, de afeto.

 

Um quase termo-nos

mas sem jamais nos possuirmos

Nem um dia

Sequer um segundo a gente teve

a quem amar

a nos amar

 

O espelho é fino

O reflexo é duro

A cor é frouxa

A voz é rouca

E tudo que nos resta é a súplica de um novo começo

Ou de um fim que nunca vem.

 

O que nos resta é o vazio

O eco que vem de dentro

Um cerne imaculado

Um homem destroçado.

 

Mas por dentro é gélido

quase sem tez

Um quase vivo que alimenta o mundo

Um quase morto que se alimenta de sufoco

 

Um homem pálido

carrasco de si,

amargurado,

ingênuo.

Um quase homem que suplica o fim

que nunca vem.

 

Um final que não se tem

A morte manda lembranças

Numa carta selada

um ardor sem perfume

Mas seu afável buquê de flores mortas desmente que,

às vezes,

o caos pode ser bem cordial.

 

 

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