Quietação

Eramos a música lenta. Ritmo doce. 

Dos livros que não leu, você era todas as mais ardentes personagens. 

Eu faço soar, entre o emudecer do mundo, todos os sussurros do meu afeto, da malacia minha. Não te berro, pequena.

O meu acalanto é um tilintar cantante próximo aos ouvidos teus.

E mal te anuncio. Prendo-me a decorar-te.

Mas te renuncio. Te entrego, me engano. Fujo. Morro.

Eu te respiro e te desisto. Ah, menina, o mundo é uma roda cruel que não nos dará tempo de envelhecer. Morrendo jovens, iludidos e fantasiados de amor, de solidão, de bem-querer.

E eu te contorno com os dedos, vozes, sonoridades. E a gente se entrelaça porque nosso caos é uma bagunça sem mistérios. Onde a gente se acha e se perde, mas que perder-se ao teu lado me soa doce. Doce, pequena. E eu já disse que dos afetos meus, rima nenhuma corrobora entre nossos enfadonhos suspiros. 

Porque o mundo não nos explica. E quem há de ter necessidade de palavras quando tão somente a presença alheia traz a calmaria dos dias ternos? E ainda que o vento sopre lá fora, num sem fim de direções, minha paz é inerente em meu peito. E me assossego em tua presença.

Ainda que num futuro não tão calmo eu saiba que algo irá se romper, e mesmo que o medo de sua ausência me sopre um vazio que me confere assombros, entre seus toques presentes eu aceito, por deus, aceito a dor que possa vir.

E eu aceitei ouvir seu timbre. Me permitir o amor num tilintar, num brinde, numa bebida mais doce. 

Mas nada mais rege esses nossos traços. Porque quero me prender agora a você. E não me permito bordar-me em outro espaço que não em ti. E não me permito o ciúmes que não entre seus lábios. E não me permito o perfume que não me impregnando os poros.

E não hei de perdoar o tempo que, de certo, me roubará a paz, meu afeto, meu torpe romper de alma. Porque os romances são cartas mal escritas, sujas e inacabadas. Os romances são letras frias de quem não pode deitar-se ao lado do tremor do afeto. 

E, ainda, se eu pedisse, se eu pudesse pedir um suspiro teu, pediria aquele que me rouba tanto a paz. Que me assegura que mesmo num sem fim de anos, você lembrará de mim como quem não te leu romances.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s