Derr(amar)

Já teve aquela estranha sensação de cair por segundos sem fim, num sonho que seja, mas continuar caindo? Eu me pego presa nessa angústia sôfrega. Caindo sem fim, acordada sempre, quase sem respirar, com o medo agarrado em minhas mãos e pulsos. Porque você foi cedo demais, ou tarde. Por deus, ou tarde, pois de certo perdi a noção do tempo, dos dias. Você devia ter partido. Porque por mais que pareça que chegou a tão pouco, você fez de mim moradia e partiu. Porra, você partiu de mim mesmo tendo ficado. Sua presença já é transbordante, excesso. Me sobra, sufoca, consome. Sua presença me berra por paz, sossego, calmaria. Isso tudo que você me levou, me roubou e não deu nada em troca além de sua presença que, por algum tempo, me foi alimento. Agora me é aflição, malgrado, desatino. E continuo caindo sem nunca, nunca, atingir o chão. Sem nunca saber quando será o fim, se a queda é a dor ou a dor vem da agonia. E você devia ter ido, porque eu não te mando embora. E você sabe que sou incapaz de me permitir dar adeus a qualquer coisa que me tenha. Quase como uma dor fúnebre, um dilacerar diário, uma dor pungente que me corrói as entranhas mas, de modo algum, me encoraja a partir, dar as costas, dar adeus. Nada, por deus, nada é abandonado por mim. E tudo que faço e continuar em queda livre, esperando que tudo se desprenda desse meu eu sujo. E tudo que sou capaz agora é de te deixar partir e dizer que eu sei, e só eu sei como, necessito que me parta. Antes que eu me fira mais, antes que você me consuma mais. Antes que tudo que me mata vire tatuagem na pele, vire você em mim num estar tão eterno que me sufocaria mais do que eu sou capaz de suportar. Antes que eu volte a admitir seus pecados, que ame todos os seus defeitos. E por deus, eu que amo cada ferida sua, mesmo que a ojeriza do ato de amar me culmine o desamparo, mas amo. Porra, amo tudo que me mata em você. Amo tanto, que te devoro em carne, corpo, alma e essência. Amo tanto que me abandono em queda por ti. Amo seus pedaços numa intensidade que meu amor dói. Quase um desamor. Um desamar. 

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