Dilacerar

Me escuta,  pequena.

Meu medo não é de que você faça eu me segurar trêmula nesse desespero, nesse sofrer sem fim. Meu medo é de me deixar segurar-me eternamente nessa sofridão esperando você me dar o aval para soltar, pra me deixar partir leve, sem culpas, sem pesos. E você não vai me dar. Porque a gente é humano, e sofre. Por deus, a gente sofre a vida toda. Mas me corrói as entranhas pensar que me deixo sofrer esperando uma alforria que não vai vir. Por deus, eu sei que não virá. Que não pode vir. Mas é tão trivial isso, não é? É tão humano que me soa patético. Tola e humanamente patético. Achar que alguém precisa nos deixar ser feliz, porque não é a solidão ou o ardor da ferida que mais dói. O problema não é o choro, mas o chorar apenas por não me achar suficientemente capaz de ser feliz.

E eu te digo, também, que sofrer e se manter dilacerada por toda a vida não é nosso pecado. Mas sofrer nesse sufrágio por achar que você não quer, ou não pode querer me ver em qualquer outra dor que não a sua.

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