Regojizo

Teus olhos que piscam lentamente.

E suas palavras tão cruas. E sua tez tão pálida. E toda a sua ausência espalhada pela sala. E o chão que estremece. E eu que não sei o que faço. Porque as janelas rangem baixinho e me agonizam nesse tempo que não passa.

E as portas ficaram entre abertas. Porra, você saiu e deixou esse vão que me devastou. Metade de mim correu pela rua vazia e estreita,

ainda que eu soubesse que você voltaria – Eu volto – mas não confio em seus olhos mentirosos.

Outra metade minha se remoeu numa necessidade de te tomar pelas mãos.

Braços

Afagos

Suspiros. E eu que me enlaço entre risos seus, e posso, por deus, posso me bordar em sua tez, em suas paredes, viro timbre seu. Me prendo em seus bolsos longos, fundos, vastos.

E me deleito em seu peito

feito mar sem fim que te almeja sem a rima de quem há de amar com a certeza.

do amor.

E no fim alucina, ritmiza, reorganiza. E eu sentada no sofá fundo, estranho e velho. E eu sentada

nisso que parece te querer mais que bem querer. E no seu vão de porta eu te espero no que me promete e retorna

torna a me querer

e quero te ocupar os espaços

os enlaços, e de afagos descobrir que a dor que retorce o peito é só um afeto que eu ainda não soube receber. Ardor que ainda não soube.

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