Afetuar-se sem deslumbre é redenção.

Como um filme disciplinado, eu te dou meu  mais pleno consentimento. Vá, mas volte. Se assim quiser e puder e sentir que ainda estamos em tempo, volte. Como quem lhe afere a liberdade em troca de um afeto mas limpo, mais justo. Sem respeitar meu tenro medo da solidão. Porque você vai. Eu sei, e só eu sei o quanto me dói te deixar ir. Mas preciso dizer isso, como numa tortura interna. Como num me render ao que temo pra provar que te mereço. Por deus, eu hei de ser boa e ser justa e ser agradável e ser. Continuar sendo pra que você queira voltar e, quem sabe, um dia fique. Fique de modo que me faça pleno. Fique de um modo que eu sinta que te tenho. Porque você vem e fica e traz suas vidas inteiras até mim, mas quando vai – e eu sei que precisar ir -, leva de mim tudo que me assegura seu retorno. Então me afogo em suas palavras. Me ludibrio, me engano, me entorpeço dos seus trejeitos memorados por mim. E aceito que você tenha que partir mais do que eu posso suportar, porque te preciso mais do que gostaria. E te admito me matando por suas ausência pra que ainda haja presença sua pra me salvar – Vai, e quando quiser volta – Mas eu tenho um ímpeto de te berrar da porta de casa Fica, por deus, fica porque te preciso. Cola em mim e me ocupa, me transborda! Não suporto seu amor dividido, não suporto seus olhos me lançando um adeus. Não suporto mais assentir suas despedidas. Mas eu não digo. Não te peço pra ficar, ainda que eu não saiba o que fazer com o que fica de mim em suas partidas. Ainda que não saiba ao certo como existir em num outro alguém. Você se despede mas me leva junto sem sequer notar. E se despede. De novo. Vou morrendo de ausências suas e minhas. Por ter me afeiçoado de um jeito que me fere o cerne. De um jeito que por dentro não sei amar. Então só te aceito, com ausências e retornos. Aceito e te recebo, me enlaço em seus dedos numa súplica muda que te implora pra não mais partir. Se puder, fica. Quando puder, volta. Acho que não tô sabendo lidar com esses vazios tantos. Mas eu só digo sonoramente que, quando puder, volte… Volte enquanto ainda puder.

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