Marca d’água

O seu batom vermelho-veludo marcava a borda da taça. E ela, com um um blues tocando rouco ao fundo, se repousava na banheira,
se debruçava na janela,
se escorava nas paredes da minh’alma. E o vinho vermelho forte, vermelho tinto, balançava entre a taça e escorria entre os lábios. Era tudo uma cena muito boa, muito bela, só pra me dilacerar o peito. Uma cena construída pra parecer meio bonita. Mas ela acendia um cigarro e, entre uma tragada e um gole, entre a música ao fundo e o soar do movimento da água – estou apaixonada por alguém que não posso ter -, e se afundava na água quente. E eu, na minha realidade gélida.

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