Não te amo por 8 segundos ou menos

Te amo quando seus olhos piscam tão lentamente. Quando muda de música. Quando chacoalha as mãos no meio de uma risada das boas. Te amo quando disfarça o choro, quando caminha pela casa, quando esquece o café manchando a mesa.

Te amo nos detalhes, em cada mísero segundo da minha existência e hei de te amar por toda a eternidade que me couber andar de mãos dadas a esse amor. Mas não agora. Por algum motivo torpe, fugaz, por qualquer coisa que não sei ao certo, agora não precisei te dizer te amo, que te cuido. E hei de cuidar. Não tive medo de te perder e, por deus, até senti uma preguiça angustiante de sua presença.

Ontem mesmo acordei em soluços sôfregos, perdendo-me entre pesadelos. E era receio. Porque o amor só se sustenta em mim quando não o alcanço. Não o toco. Só um vislumbre, um almejo tenro, um afeto platônico não porque eu amo meu egoísmo, não porque amo um alguém que não há de ser você, nem algum outro que deve haver por aí. Mas como um sopro num amontoado de glitter, eu me esvaio da paixão assim que ela me contempla em plenitude. Me desagarro do sofrer, do querer, do amar. Ah, mas que besteira, não pense que após sua partida eu vou repousar sossegada em meus devaneios em busca de um outro ser amável. Não, engana-se. Vou cair num período dolorido, uma dor desconcertante. Numa auto rejeição que me fará chorar por dias sem fim. Pois, te digo, chorei dia desses por te querer, e só eu sei como me costurei a ti. Mas agora que te tenho meus pontos se soltam. Meus remendos se rasgam. Agora que você veio, sinto que te manter em mim é pesado demais para minhas linhas finas.

A culpa é minha. Não te amo por 8 segundos ou menos. Por não ser capaz de te amar nesse instante só, e tão somente, pelo fato de ser muito amor. Demasiado amor. Te serei em mil tracejos de afeto mesmo nos dias mudos, nas noites frias, nos telefones que não tocam. Te serei afeto mesmo nos seus mais sórdidos pecados, no que você não sabe amar, e ainda assim eu te contornarei a face em ato de paixão. Te serei. Mas não agora. Por esses crus e vagos e inescrupulosos segundos, eu não te amo.

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