Reverberar

Detesto gente que não sabe pesar palavra. Pior ainda, gente que dá peso de sentimento a elas. Ou tira. Tenho uma preguiça emotiva de gente que usa Te amo como despedida. Fica uma coisa tão repetitivamente crua que, quando ouço o Eu te amo sincero, já vou mandando a pessoa embora. Aquela cena velha do telefone “Olha, você tá atrasado. Deu água pro cachorro? Sabia que ia esquecer. Tá, depois a gente se fala. Também te amo, tchau”. Diz tchau, mas preserva o te amo. Porque ali você não amou. Não depois de uma meia discussão. Não depois que seu cachorro tá com sede e sozinho, e você avisou. Daí o sentimento vira uma palavra, um reflexo do que é. Sei que me ama, mas soa tão refletido, tão eco e automático, que perde toda a essência do sentimento. Porque eu tenho uma dificuldade danada com essa coisa de afeto e dar carinho, e pra ajudar tenho um prezar tão grande pelas palavras. Daí você vem e troca o tchau pelo eu te amo? Deixa isso pra quando o sol tiver baixinho, a música calma, a tarde quente, o abraço justo, a saudade apertada. Mas não me faz embrulhar palavra e sentimento no mesmo pacote, ainda mais se forem de caixinhas diferentes.

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