Des(d)enhar

Desenhei uma dezena de armas que eu não soube usar. E não saberei nunca. Porque sinto que preciso, que quero e que anseio pela guerra. Poderia sair correndo porta a fora agora. Nesse instante. Porque eu tô aqui, nessa papel meio amassado, despejando devaneios que, quiçá, você nem entenderá. Pois entre tardes de domingo, despedidas e cafés gelados, como te digo que antes você me era uma saída doce, uma fuga, um almejo que me salvava apenas, e tão somente, por me fazer lutar pela sua segurança. E agora? Agora te digo que sua chegada me desassossegou. Como eu tinha uma sólida certeza que isso aconteceria. Porque é sempre isso que me destroça por dentro: as chegadas me bagunçam a casa, me desestruturam o cerne. Não sei viver de amor. Porque agora você veio. Chegou, ficou e se instalou em mim. Mesmo sem estar. E no começo eu que tanto te quis, tanto me moldei pra te portar, me esvaio entre corridas e portas trancadas, telefones que não atendo e as dores de suas ausências. Ou presenças. Porque não sei lidar com você aqui sem estar. Também não sei lidar com sua distância, presença, ausência, fala, emudecer.Não sei lidar. Pois não sei quem ser agora, não sei mais manter a casa, a cara, a fala. Nem me manter. Nem nos manter.

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