No fundo do bolso

É essa corrida insana pra longe do que temos por dentro.

É esse mudar pra voltarmos a ser exatamente o motivo da fuga. E você ri. Ri quando começo a falar essas coisas meio tolas e sem nexo, como se por algum momento eu tivesse a capacidade de dizer alguma coisa racional. Pois em silêncio te berro que não sei cultivar afeto, e você me afoga e sufoca e você me transborda de não-saber-lidar.

Mas é isso que a gente, humana e tolamente, faz. Troca o amor pela carência. A gente vai acumulando um medo de dar afeto à necessidade de ter afeto. Então despejamos no primeiro sinal de amor. Mas, porra, não é pra ser assim. Eu não sei te dar amor e saio correndo amedrontada por não sabe em que bolso guardar o afeto que você me traz. E por não saber se te tomo pelas mãos e berro com todo o fôlego que me cabe “Fica e me cuida, e me ama, e me abraça, porque você me vestiu de um jeito que eu nunca soube me deixarem vestir”. Mas você não vem, e eu não digo. O silêncio corrói. E suas ausências me ferem o cerne, e odeio sua liberdade sagaz de mim. Como pode esse amor me causar tamanha sofridão e você respirar tão doce longe de mim? Decide, por deus, decide se vem ou não, se ama ou cala, se me deixa pintar as paredes com meu caos. Decide de que amor morro eu: de seus excessos ou de suas ausências.

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