Acordei chorando às 3 da manhã e tive uma vontade imensa de te ligar. Quis afundar no travesseiro e só te pedir pra me acompanhar, e nem era preciso dizer nada. Eu só queria saber que você tava ali, me ouvindo, ainda que em prantos, mas me ouvindo. Eu quis, por deus, como eu quis te ligar e pedir pra você me buscar e fazer a dor parar, e que mesmo que você não pudesse ou não soubesse como, que viesse me acudir, ainda que apenas apoiar minhas mãos. Mas eu não liguei.

E agora me afundo nesse sem fim de sofá e ensaio falas tolas só pra te dizer que tô precisando chorar. Mas que bobagem, chorando eu já estou. Escuta, não quero que receba isso como um drama, como alguém que não sabe mais lidar com essas coisas de sofrer e morrer de dor. Eu só tô precisando que saiba que sua presença tá me sufocando e que, mesmo quando anseio por te ligar, numa súplica muda e desesperada por socorro, eu sei, no fundo eu sei, que sua presença me joga num fundo e cada vez mais fundo buraco de mim.

Então se puder, se quiser, enxuga essa minha lágrima e parte. Parte de mim, pois isso tá me dilacerando e eu não sei ir embora. Por deus, eu não sei mais ir embora e já não sei mais o que é dor sua e dor minha. Pois eu as tomo, todas. Eu as assumo, as vivo,as sinto e não sei mais emergir dessa banheira de medo e dor e angústia que tô mergulhada. Eu queria saber te dizer que a vida vai ser boa e que, de modo geral, isso depende de cada um. Mas não vai. Não vai porque não sei mais separar essas feridas. Não vai porque tuas incertezas estão costuradas em meus pulsos e a aflição de ser quem sente a agonia da existência, somada à crueza da realidade tem me impedido de saber quem sou. Se sou. Porque eu lutei tanto pra me achar em algum lugar e, por deus, agora me encontro paralisada em lugar algum. No meio de um emaranhado de incertezas. E se te digo que venho pronunciando dores noite após noite?E se te digo que o medo de saber o que sou e o que tenho sido me impedem de dormir? E se te digo que essa noite mesmo me peguei num acesso de raiva… raiva de quê? De quê, meu deus? Raiva a ponto de empoçar meus sentimentos numa mancha de lágrimas a minha frente. Raiva a ponto de não querer mais ser, e não querer ir, e não querer saber ir. Então só te imploro, vai. Vai pra eu relembrar quais dores são as minhas, e quais medos são os meus, e o que ainda sou eu.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s