Dois espaços

Não há nada mais incômodo que de uma parede vazia. Não, não digo as que estão conscientemente vazias, para que não sobrecarreguem a decoração. Digo aquelas que você sabe, sente, que elucidam uma ausência incômoda, um não estar. Mesmo que a gente não saiba ao certo do que se trata, do que se ausenta, mesmo que o que caberia ali seria uma imensidão de coisas e, ao nosso olhar, nenhuma delas serve.

Assim como essas paredes meio ocas, vagas, vazias, tenho me sentido assim. Um espaço inalterado, vazio, que deve, por deus, deve ser preenchido com… com oque? Um amontoado de coisas que me ofereço e nenhuma delas tem me feito plena, decorada, encantadora. Encantar, palavra doce essa, não? Quase um ritmo pra dizer que uma coisa está tão boa, bonita, doce, que soa feito música. E sequer as músicas me soam mais. Tenho sido um só mais um, caminhando entre escolhas que não sei ao certo se fiz bem, e erros que já não sei também se me arrependo ou, de tamanha dor que me causam, os adotei, me afetuei a eles, tomando-os entre braços e laços, entre afetos que só e tão somente me rasgam ainda mais a pele, a alma, o cerne. Como uma parede icomodamente vazia. Como um buraco que me engole antes mesmo que eu possa me dar conta do que fata. Do que me falta.

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2 comentários sobre “Dois espaços

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