Do sem-fim do meu amor me resta a certeza que você não volta

Pensei em ligar hoje. Entre um riso forçado e uma vontade enorme de correr ao encontro seu, eu quis ligar e pedir, implorar, pra que não deixe esse espaço entre nós. Quis dizer que tá me sufocando, tá dilacerando todo o meu eu. Mas tudo que fiz foi afundar num sem fim de sofá – sofá esse que já nos foi conforto, que guarda a saudade do nosso peso, juntos, sobre ele. Preferi mandar uma mensagem pois não suportaria ouvir sua voz num timbre alegre longe de mim. Já que a minha anda parecendo meio chorosa, meio falha, sôfrega. 

Mandei uma mensagem pra te dizer que tô bem, tô ótima. Hoje? Ah, hoje eu saí… fui num lugar lindo que me lembrou tanto você. Quase te comprei uma lembrancinha, tirei uma foto, quase. Mas fazer isso seria como registrar mais fundo essa falta tua. 

Mas sabe o que é triste? Triste é saber que, entre tantos dias e amores vindos, eu te pedi pra voltar, pra vir. Eu fui me construindo e aprendendo a te deixar entrar. E eu tive um medo danado. Por deus, eu que nunca deixo nada nem ninguém me ocupar tanto assim, te dei as chaves de casa e permiti que me fizesse moradia. E agora? Agora você largou tudo. Fugiu levando minha paz. Levou a mobília toda, porque parece que tá tudo tão vazio em mim. 

Deixo a porta entreaberta, como quem te faz um convite. Eu chorei um pouco depois que a conversa acabou. Eu quis mesmo dizer que era tudo mentira, e que o dia não teve um sol tão vivo sem suas mãos juntas às minhas. Mas não fiz. Só continuei no meu teatro sujo, mentindo pra mim mesma que eu tô bem. Eu tô bem. Eu aceito que você me roubou a casa toda. Eu tô bem pra caralho.

Você soube que foi a última vez? Eu tive uma tenra certeza que, depois daquele dia, mesmo com suas promessas de retorno, com suas blusas esquecidas, com suas palavras de amor, algo em mim berrou que você não voltaria. E não voltou. Porra, você partiu e, como num adeus que te pesou exacerbadamente, como quem cala por não suportar o peso das palavras, você caminhou sem olhar pra trás. E eu soube, com toda minha alma, vísceras e coração, você não volta. Não com o seu amor. Não com o riso doce que me sustentou. Não com o seu afeto enlaçado ao meu. Você não voltou. 

Mesmo eu que aceito e acolho todos os meus amores, que guardo nos bolsos os pecados de quem amo, mesmo eu que te recebi e te receberia por toda a eternidade, desisti. Eu te amo por uma vida toda, mas não sei mais te receber, te gostar, não posso te dar afeto. Mas te amo, mesmo no silêncio que,antes era íntimos, agora soa incômodo, mesmo nos abraços desajeitados, mesmo nos meus pedidos mudos de retornos seus, eu te amo. Entre minhas lágrimas, é a saudade da parte sua que sabia, e queria, e queria saber receber meu amor. Você não voltou. E hoje, agora, entre meus sofás mudos, entre minhas memórias fatigantes que me ferem o peito, eu te amo, mas não te dou afeto. Morro das saudades de quem você me fora. E por deus, amaria por um sem fim de vida. Amo quem você me foi, mas não posso amar a parte sua que voltou. 

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