Quando você partiu, levou quase tudo. Levou os ponteiros do meu relógio, e as horas se arrastavam entre os dedos meus. Levou meus lenços, e parecia que nada enxugava mais minhas lágrimas. Quando você partiu, levou quase tudo. A paz, o riso, o desejo. Levou um sem fim de coisas que me eram importantes. Você levou o timbre, o ritmo, o fascínio. Levou meu ar, meu tom, meu som. Levou a beleza que os olhos meus viam. Levou o toque, a ilusão, a decepção. Levou a alma, a graça, a trapaça. Quando você partiu, levou meu dia e minha noite. Minha mente, meu horizonte. Levou o começo e o fim. O precipício, a fuga, o desejo do acalanto. E com os dias de sua partida, você levou todo o resto. As dores, as memórias, a falta que chafurdou na bagunça que você quase não levou.

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