Linear

Uma linha estreita. Um sem fim de passos que já não consigo equilibrar no tracejo fino, no chão sujo, no corpo frio. Você foi uma chegada assustada, um me descobrir em outro alguém. E me descobrir em mim mesma. Foi uma chegada austera, sôfrega, ainda que de repente. Foi adentrando e me fazendo pisar cada vez mais fora da linha. Um risco tão fino que eu me obrigava acreditar que poderia e deveria e, por deus, queria mesmo manter-me na segurança daquele caminhar. Por medo, te digo. Por receio dos meus pés desajeitados e grandes demais não caberem no resto do chão. Por querer enganar-me que ver a linha me faria enxergar todo o caminho. Mas hoje te digo que, por tempos que me equilibrei árdua e cruelmente no rabisco ao chão, não senti a segurança, a rota, o caminho certo. Me senti num equilíbrio vago de um medo que eu não sabia sentir, unido da solidão de não caberem dois corpos numa mesma reta.

E se a coragem que me envolve me faz pisar fora da linha, te admito que em nada perdi a ciência. Meus almejos continuam aqui. Meu futuro incerto continua aqui. Meu medo da dor, do tombo, de perder de vista o rabisco, continua. Mas sinto que é preciso dar espaço para que linhas não tão exatas se encaixem entre meus pés, e que novos pés acompanhem esse caminho.

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