Florescer

Sua flor caiu ao chão. Morrendo despetalada. Em sete pedaços sem perfume. Sua flor caída fez rugir um estardalhar imenso. Cada pétala figurou um sem fim de amores, dores e receios que pesaram no chão nais do que uma alma pode aguentar. Em cima da mesa restaram outras flores que me deste, ainda que, uma a uma, elas têm esse processo de encontro ao chão. Três vezes, quatro, oito, centenas de vezes pois suas flores renascem e morrem na mesa. Em mim. Cem flores mortas e as pétalas te rememoram. Cem quedas diárias, e o perfume que resta é solitário. Ainda que eu tenha me feito moradia nas flores, me juntado a elas no chão frio, costurado suas pétalas e lançando-lhes perfume, e deus sabe quantas noites me mantive nesse ritual patético de salvação inútil, elas continuavam mortas e continuavam morrendo e continuavam. A mesma flor caída e costurada, morta e insistida. A mesma flor morrendo cem vezes de um amor que só eu não quis despetalar.

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