Tinha uma placa azul, com letras brancas, delicada mas presente, que dizia “pede-se a fineza de não cortar as flores”. A princípio achei graça. Uma graça tola, risonha, delicada. Quem, por deus, cortaria as flores? Rosas e cores e flores e todas doces. Pede-se a fineza. Bonito isso, mas quem seria rude a ponto de despetalar um encanto assim?

Mas a gente despetala, a gente leva pra casa pra ter um toque a mais. E nem é por mal. É que ela, flor tão delicada, encanta tanto, perfuma e modela um tracejar sutil. Me és flor, pequena. Doce. Doce. E quando te entrego perfumes, quase te digo que te bordo em cada pétala. Te perfumo.Te venero. Uma pétala guardada entre páginas de um livro favorito. Tenha a fineza, minha menina, de não cortar as flores.

Agora entendi. Numa compreensão epifânica: pede-se a fineza de não desflorar os amores.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s