Resultar

A verdade é que deveria constar nos autos por aí “Quando dois não querem, um não se apaixona”. Deveria mesmo. Porque eu deveria ter deixado esse dar afeto quietinho, adormecido num canto do meu peito. Eu deveria ter te deixado passar, assim como tantos outros que me passaram sem me fazer ventania. Não que eu te culpe, afinal o desejo é um corpo abraçando dois serem opostos. Mas o problema reside aí: quando só um lado quer, só um lado se deixa abraçar e o outro afrouxa o laço. Pois o certo seria continuar sorrindo mesmo que você não tenha calçado meus sapatos, mesmo que você não tenha se coberto com minha blusa. O certo, por deus, era não te fazer moradia enquanto você se desfazia de meus enlaços. Mas sei, bem sei, que isso de… de quê? De bem querer? De desejar um outro alguém é uma conta vaga que, por grande maioria, nunca chega num resultado favorável.

Bom seria se os dois corpos amassem, dividissem a casa, somassem os risos, somassem os passos. Bom seria se as almas se incorporassem, os corpos se lambessem. Mesmo que depois acabasse e viesse a dor, seria bom se os dois sofressem. Mas geralmente é uma conta injusta. Um conta que dói de um lado só, sangra, chora, sofre uma dor solitária. O outro não sente, não vê, não calcula.

E você que não me adentrou a alma mas ficou registrado em anseios e devaneios. Ficou aludido no cerne. Você foi registro de um desejo que quis mas não me quis de volta. Um querer que acaba, como outras vezes, somando um afeto sem resultado.

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