Porque o amor não me basta.

Te venero. Pura e sorrateiramente. Te almejo, mas não te toco. Não por não ser capaz, mas porque meu desejo de afeto me impede de romper os laços que te protegem. Por que o amor não me basta, pequena? Me pergunto por dias sem fim. Morro entre minhas tragadas amargas e meus goles secos de bebidas fortes. Porque o amor não me basta.

Você, minha doce menina, ama-me. Assim, de corpo, alma e pecados. E eu? Amo o que?
Lembro, por deus – olhando esse cigarro queimando minhas memórias doces – que você me dizia que amo a sensação do desejo, do afeto. Que amo estar em almejos desde que solitários. Pois, menina, desconfio que você tenha razão. Porra, você sempre tão coberta de certezas. Eu fujo dos meus objetos amantes porque não os amo. Não posso permitir que minha ilusão se rompa, que os pecados alheios firam o afeto que construo. Não sei lidar com os fragmentos alheios. Amo no mais sórdido egoísmo que há. Por que o amor não me basta? Por deus, como queria saber dizer. Diria também que amo cada toque seu e as pontas dos seus dedos. Menina te beijaria as mãos todos os dias.

Agora rio e engasgo com a bebida – pequena, me aflijo com suas mãos quando tu me és presença. Me vem e me leva a paz. Te quero longe, pois até seus toques são tilintares sem ritmo quando próximos de mim. Amo cada pedaço seu, desde que haja distância o bastante para eu bordar e tecer esse amor em meus tons. Em meus traços. Amo a agonia que o afeto me dá. Porque o amor não me basta.

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