Queria seus cigarros em minhas mãos. Sua bebida em meus copos. Seu amargo em minha boca.

Queria sua presença enchendo a sala, esparramando acolhimento aos meus olhos. Queria sua face pálida próxima a minha. seu cabelo macio cheirando shampoo e cigarros recém fumados, queria seu toque, seus dedos, seu timbre.

Ainda é você que tem me salvado desse caos. Dos meu caos. Do meu eu.

Queria telefonar e dizer que tenho estado bem, ou viva, ou alegre, ou sabe deus o que. Mas se te telefono agora, despejaria lágrimas pesadas. Menina, eu queria dizer que tô bem. Mas, por deus, mentira! Eu tô mal. Tô mal pra caralho. Meus dias têm sido repetições incansáveis de mazelas e fugas e rotinas amargas. Meus dias têm contado horas sem fim de uma tristeza que me pesa os ombros, dói as costas, marca os pulsos. Minha dor tá estampada na pele, ferindo a carne, amargando as bebidas.

Menina, não sei se tem pensado em mim, se tem me quisto ainda que longe. Mas, como um pedido solitário de quem já lhe fora amor, me deseja coisas boas. Me deseja um caminho novo, mais leve. Ainda que sem você eu tenha que caminhar sozinha, mas deseja que meu caminho seja mais doce.

Deseja, por fim, que eu não precise mais desejar ninguém para me fazer crer que os dias valem a pena. Pois os anos têm passado, e meus meses correm o calendário. Tudo que tenho são coleções de medo e angústia. Tudo que tenho me desassossega, me fere, me mata. E não morro. Por deus, não me mata o bastante para fazer a dor parar.

Então, pequena, só me deseje coisas doces. O telefone hei de tocar um dia.

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