um eco que ressoa, não mais um barulho que me ensurdece

Preciso te dizer, pequena. O amor em seus começos, meios ou finais, ele soa oco. Diferente de um preenchimento pleno, ou de um vazio agudo. Ele é oco. Um caos que não pode ser habitado, um espaço vago que perpetua em seu peito e consome sua essência. Seu riso vira um retrato mudo em sépia. Digo, ainda, que achei que morreria. Por deus. Era um oco tão extenuante, que sua ausência parecia me fazer morrer. E ainda que os dias passassem, me sentia repetindo o mesmo dia de sua rompante ausência. Quando me dei conta de que o fim era fim, e a dor era extenuante, quando me dei conta de que não valeria a pena viver sozinha o nós que por tanto tempo me assegurei. Por fim, quando me vi presa nessa liberdade de não ser o nós, ser apenas o eu, me dei conta que o vazio ainda me habita. E habitará por dias sem fim. Mas te digo, o amor se cura, passa. Não há nada eterno nesse nosso caos, então o amor não há de ser também.

Pequena, há sempre alguém que machuca mais, ama mais, é mais o nós de todo o amor. Por fim, fui eu. Mas passa. Ainda que doa dizer, o amor há de virar passado quando se deixa ele passar. Então deixei doer, sangrar e quase me matar. Deixei sofrer, arder e por fim, deixei que ele deixasse de ser amor. Virou saudades. Virou um eco que ressoa, não mais um barulho que me ensurdece.

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