Não olho mais o relógio. Agora marco o tempo perdida entre meus cigarros. Eram quatro da manhã e eu estava sozinha. Eram quatro da manhã e antes você dividia as noites comigo.

Era a sua presença que ocupava minhas ânsias, meus delírios. Era você que residia em mim, nas bebidas, nos cigarros. Porra, eu nem fumava. A cama, antes apertada, nos aconchegava e meu peito se desmanchava em aconchego. Você me foi moradia e hoje parece um eco incômodo.

Meu cigarro queima e poderia fumar por dias sem fim, até morrer sufocada. Até o oxigênio me faltar. Poderia. Mas agora eles acabaram. Acendi o último. Assim como você que queimou em brasa, foi fogo ardente e, num sopro cruel, se apagou em mim. Te traguei e nada mais restou senão teu gosto amargo em mim.

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