Centenas de afetos meus por ti me transbordam

Eu andava lendo boas coisas. Boas rimas. Andava ouvindo boas músicas, boas histórias. Por deus, eu andava tão leve e descompromissada em ser qualquer coisa que não eu mesma. Andava.

Por fim, não ando mais. Depois de ti, pequena, me tornei um conto seu, uma estrofe tua. Rima e poesia. Sonora e latente. Muda e um sem fim de significados seus.

Os dias últimos foram de cansativos ecos e ressoares teus. Seus dedos, seus toques, seus timbres. Tudo ecoa em mim. Uma, duas, dez vezes. Centenas de afetos meus por ti me transbordam. E meus traços repetem os traços teus. E meus timbres copiam os timbres teus. Menina, meus ensejos são seus olhos distraídos, encantadora e sagazmente perdidos em mim. Mas não se perdem. Não me adentram, não me tocam. Seus olhos não me tecem mais.

Andei lendo bons livros. Entre eles, nenhum que verbalizou seu tracejo. Depois de ti, as palavras ficaram soltas e sem nexo. Menina, me ressignifico em mil dicionários e nada me devolve a mim. Mil sentidos e você não se encontra em nenhum. Seu espaço vago em mim é mais do que um vão. É uma desordem que me desconstrói. Me refiz em centenas de palavras e só uma ainda ecoa aqui: fica.

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