O mundo pareceu grande demais esta noite. Meus dedos que tamborilaram entre seus timbres, agora se agarram ao vazio do meu eu. Essa noite lágrimas secas me transbordam os olhos.

Sabe, pequena, não tenho tido muitas vontades, muitas coragens ultimamente. Ando me escondendo em mim, num eu cada vez mais fundo. Um profundo de mim que desconheço. É vazio. E frio. E angustiantemente perturbador Tenho caído num sem mim de almas minhas e, por deus, não me reconheço em nenhuma.

Fui tão mais corajosa ao lado teu. E como me dói, pequena. Porra, me dói pra caralho saber – e tomar consciência – que sou um eu tão mais vívido e límpido e tão mais eu quando tenho um corpo e alma a que me apoiar. Por dias e mais dias fui um corpo quase dócil, quase alegre, quase. Quase me permiti ser eu mesma ao teu lado. Por você e tão somente por ti, menina. Agora não mais.

Os dias que agora correm mudos, a calmaria que adormeceu e deu lugar ao caos, o não me pertencer me habita. Sou um solidão desenfreada. Não me caibo, e nem sei me fazer caber pois, porra, não faço ideia do que sou. Do que ser. Do que, por fim, fazer para ser.

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