Sem tracejos da presença. Sem o afago, ainda é. Amor

Algum dia o destino ou o acaso hei de nos trazer a calmaria que resulte em amor? Digo, você será capaz de encontrar um riso frouxo que te faça, verdadeiramente, amar? E esse amor será capaz de te fazer ficar? Sim, pequena. Digo ficar mesmo. Pois o amor não se diminui pela ausência. Mas é imensamente diferente quando amado em espaçados ensejos.

O amor afagado em toques vira afeto. Ama-se em distância, mas tão somente ama-se. Não há tilintar que justifique o desejo de ficar. Por deus, um dia um querer mais do que bem querer hei de me fazer amar e, por fim, desejar a asfixia pelo amor? Uma dia o imaculado espaço solitário será quebrado em prol de adentrar-me por um outro alguém? Pois nada se repete mais do que o desejo e nada se cansa mais do que os amores mortos. Sim, pequena. Amores exauridos pela presença, pela insustentável complexidade de amar e estar junto. Não que o sentimento seja diminuído. Não, nada disso. Ainda é amor. Sem tracejos da presença, ainda é. Sem o afago, ainda é. Amor.

Mas quem ama só será digno de acalentar o amor quando a distância for, enfim, rompida, anulada. Quando a força romper os quilômetros solitários, unir mais do que os corpos. Unir as vontades de ser um. Um. Apenas um, ainda que continuem dois. Ainda que amem em dois, tem que ser afeto tracejado em um sem fim de espaços e, ainda assim, não haver brechas entre os dedos entrelaçados.

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