vou morrendo por minhas estadias solitárias em mim

Tatuagens duram seis vidas. Sete almas. E algumas essências.

Tatuagens marcam o cerne. Tracejam pontilhados d’alma.

Sabe, pequena, seguro esse meu cigarro desassossegado e experimento cafés amargos.

Fiz mais uma essa tarde. Um rabisco ardido entre a terceira e a décima primeira costela.

Trago e solto. Choro e bocejo. Durmo e me embriago e, porra, você não reaparece.

Nem quero. Por deus, não te quero aqui. Pois, ainda que sordidamente, só te amo e te quero e morro por venerar-te em sua fúnebre ausência. Odeio cada chegada sua. Odeio o timbre que sua voz soa. E odeio mais ainda quando tu não falas.

Odeio a décima porta da sua casa, e me escoro em cada uma delas para que você abra e me carregue para cada vez mais fundo de sua moradia.

Odeio todos seus toques e dedos. Mas odeio ainda mais quando sinto o tilintar seu na tez alheia.

Odeio, pequena, todas as suas cores e formas. E odeio o fato de me sentir tão egoísta em seus traços, mas ainda assim mais nítida do que nos meus tons sépia do seu não estar aqui.

Pois olhe, de novo vou divagando em minhas linhas angustiadas e me perco na fala, no pensamento, em mim. Como ia lhe dizendo, tatuei a pele. De novo. O quê? Bom, os traços eternizados em nós são dignos de complemento.

Escrevi um poema, uma despedida, um bom gracejo romântico. Me falta afeto, pequena. A dor não, a dor do amor, talvez. Me falta efusão amante. O escalar do coração. Me falta o desassossego, a euforia, a angustia de querer mais do que bem querer e, num sem fim de dias, desejar a paz e a calmaria ao lado de um outro desassossegado.

Escrevi versos de amor, pois tudo que conheço sobre afeto se resume a ti. E te odeio, pois dizem que só se ama verdadeiramente o que não nos pertence. E, por deus, você é minha demais.

É como se eu implorasse oxigênio e você se debruça ainda mais sobre mim. Como se minha ojeriza fosse alimento teu. Te odeio por cada segundo. E quando a ausência se faz presente, eu morro em solidão. Por não saber o que fazer com todo esse meu eu. Por não saber mais lidar e ser e viver e. Apenas, e tão somente, por não ter a capacidade de me ser sozinha, vou morrendo por minhas estadias solitárias em mim.

Observo minhas mãos, meus dedos e vejo seu nome, sua penúria tatuada em mim. Você me falta, mas me transborda. Como pode? Te pergunto, como pode estar tão inerte em mim? E se odeio sua presença toda, odeio por fim a mim ou a ti?

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