Rumo

Quando o vazio ressoa, não é exatamente a falta da presença alheia que incomoda. É claro que a saudade é um vestígio de que bons momentos cessaram, mas ainda permanecem como bons momentos. Sabe do que sinto falta, pequena? Da facilidade de encontrar um bom lugar para tomar café no meio da tarde. Sinto falta de como a brisa sussurrava doce em meus ouvidos, sinto uma falta extenuante de como era fluído sair de casa. Talvez os cafés nem fossem tão bons, o vento nem sempre soprasse na direção certa, talvez sair de casa fosse uma tarefa mais simples quando não é preciso caçar companhias. Pessoas tão atarefadas, e nós também. Mas, de repente, a gente arranja brechas na agenda pois o vento ou o café estarão, com certeza, magníficos. E se não estiverem a gente ri. A gente troca de café, a gente caminha pro outro lado.

Porque é a companhia alheia, o impulso alheio que torna nossa casa um recinto tão sem graça. Torna nossa solidão não suficiente. Pois vejo, menina, que agora meu café amargo esfria na xícara e a janela está fechada. Me obrigo a acreditar em minha própria companhia pois, de momento, ninguém parece interessante o bastante para querer romper as rotinas, as agendas. Mantemos nossa vida. Não é o fim do mundo. Mas É o fim das tardes e agora, nessa tarde, meu eu sente falta de uma caminhada e um café compartilhado.

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