Não me seja mais do que posso suportar

Eu rechearia cada dia meu com tua presença. Por deus, eu faria o mar transbordar de ti. Teu riso, teus olhos doces e exageradamente redondos. Seu olhar perdido acastanhado. Mas te imploro que não me queira igualmente. Digo, queira! Me queira, me faça bem. Mas como te explico que metade de mim anseia por um desejo, uma reciprocidade, e a outra metade afasta de mim toda a insensatez de deixar-me vulnerável? Sim, amar é permitir o fracasso como apoio, quase tocando-lhe a tez.

Então te peço, aos poucos, aos encantos doces, aos toques leves, ao mau amor que nunca se rende nos fins, não me ame, ainda que seja amor. Não me borde de afetos ainda que tenhamos o desejo escancarado na pele. Não me seja nada além do que me desassossega, senão te perco. Senão te emolduro nos intransigentes ecos do meu eu. Ecos que não ouço mais por medo. Medo de me ensurdecerem. Medo de me serem mais real do que eu mesma posso me ser. Não me seja mais do que posso suportar, senão eu desisto. Eu abandono. Eu vou me refugiando cada vez mais em mim, me decoro, me consumo e não te resta nada. Não me seja amor. Não me seja.

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