Você não tinha corpo. Me era como uma mancha cinza e pesada. Mas você não tinha corpo. Só um desconforto pairando em minha cabeça.

Você não tinha timbre. Era um som oco, rouco. Antes, quando ainda não tinha corpo, você era um sussurro repetido e emudecido na minha mente.

Se antes, sem corpo, você era uma presença incômoda, me aliviava saber que a penumbra era intangível demais para me absorver.

Agora você tem corpo. Tem dedos, voz e pele gélida. Você tem dedos longos que me arranham os braços. Tem passos pesados que me assustam à noite. Agora meus medos e receios têm olhos que me olham fundo, do espelho. O seu corpo, agora, parece mais constante nos meus dias, você ocupa mais espaço em mim do que eu mesma posso ocupar. Você me abraça e não me resta ar pra respirar. E tola, solitária, eu te alimento, te entrego meus braços e ossos. Eu te aconchego junto ao peito ainda que eu realmente não te queira. Suas unhas me roçam a pele e eu desejo estar só novamente. Mas você é como uma nuvem pesada chovendo em minha cabeça. É como um demônio silenciando meu choro.

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