Fugi três vidas inteiras e tropecei em suas pétalas

Te escrevo  nesse papel amassado pois meus rascunhos estão todos rabiscados. Te escrevo, pequena, depois de jurar que não mais escreveria. Mas você me conhece e sabe que morro, por deus, morro presa em minhas letras tortas.

Hoje o caminho foi longo, meu peito pesou, meus olhos foram de uma tristeza sem fim. Pois eu que me resguardo e me alimento das estadias tuas e minhas e tento adormecer. Mas as noites são longas e frias e cruas. Não me desligo.

Você adormece. Fecha os olhos e recobra seu mundo íntimo. Por deus, eu te olharia dormir por toda a eternidade. Eu contaria sua respiração lenta, seus contornos doces, sua desconcertante presença em mim, mesmo quando não há timbre seu.

Mas, veja, novamente eu me perco entre falas minhas. Me descompasso nos meus relatos. Me perdoa, menina, sabe que me entorpeço de seus tênues dedilhares e me perco em você. Mas retomo. No caminho, que hoje fora mais longo que de costume, eu tive uma vontade danada de correr. Sabe, pra lugar nenhum. Como quem fecha os olhos e corre sem rumo para não mais me acharem. Para eu não mais me achar. Porra, eu acordo todos os dias perdida em meu quarto, repetindo essa falsa ilusão de que eu tô bem. Eu tô bem pra caralho. Mas eu não tô. Porque ninguém que se perde de si mesmo pode estar bem. Digo, logo eu que me agarro às certezas e passos seguros. Eu que caminho seguindo meus mapas, ainda que confusos, não sei mais quem sou.

Então me desenhei em um sem fim de corpos pra tentar ser alguém mais sensata. Tentei achar um motivo de ser e estar, mas tudo que me restou foram os braços longos do mal-me-quer.

Então você me chega com suas flores mortas, suas pétalas enfeitando o chão. Então você ocupa a sala e o caminho todo. Mas sem perfume. Sem essência. Não reconheço suas flores como flores. Ainda que ocupem minha mesa, ainda que enfeitem a casa, minha incerteza borda o caule.

Um olmo, uma raíz interna e uma vida para descobrir que o apego é um caminho longo demais. Fugi três vidas inteiras e tropecei em suas pétalas. Me deitei, cobri e deixei o não-perfume de suas flores me tocar a pele. E só deus sabe o quão me é raro o tilintar de outro corpo, de outra alma em mim.

Acordei por seis manhãs seguidas e insisti, ainda que em segredo, em costurar suas flores mortas. E lembro, porra, eu lembro que furei os dedos em agulhas negras só para poder ver flores inteiras.

Eu quis, pequena, aceitar tuas flores mais inteiras porque olmos não podem ocupar a casa. Porque elas me estampam os vasos, a sala e meu eu inteiro. Mas eu, distraída, acabei por bordar raízes densas num chão que não me sustenta. E você persiste em suas flores sem perfume. Ainda que me recubram os pés, ainda que me decorem o caminho, eu tropecei num jardim que não sei regar e persisto escorada e embalada por suas pétalas frouxas.

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Teus cigarros acesos agora queimam minh’alma.

Teus olhos que me olham me assustam porque poucos já conseguiram me ver.

E agora me enxergar pelos olhos teus tem me roubado a paz.

Se adormeço debruçada nas asas desse  anjo negro, é porque não me asseguro a sensatez do bem querer.

Então não me rouba a paz. Não retorna mais tarde. Me deixa asfixiar agora enquanto a dor ainda hei de ser menor.

Me deixa fenecer escorada nesse anjo que venero por não ter as asas livres. Ele tem seu semblante adormecido.

Entre minha alma e meu décimo suicídio

Você se perde entre as cortinas e os lençóis. Você me escapa como quem se desmancha entre os dedos meus, quase uma areia fina.

A cortina cobre seu olho esquerdo e ainda assim sua alma berra nessa sala. Te decoro em cada detalhe, mesmo os que não vejo. E eu me sento nesse sofá envelhecido esperando a solidão me abraçar. Porque ela sempre volta.

E mesmo que seus bilhetes me digam que o café está na mesa e você volta, eu sei, porra, eu sei que uma hora há de não voltar. Então me instalo sorrateira no seus bolsos. Me envolvo nos seus pulsos, pescoço e alma. Ocupo cada espaço teu para que, quando você se vá, reste lembranças em ti.

Mas tua presença me fere. Me rouba de mim. Tua presença é uma corda azul amarrando meus pulsos. Entao me espalho pela sala em mil pedaços. A sala que não te sustenta mais, a sala que teu corpo não ocupa, agora fica pequena demais pra me abrigar. Então continuo dilacerada pelo chão. Entre o sofá e seu canto favorito. Entre minha alma e meu décimo suicídio. Entre minha paz e minha guerra. Entre tudo que sou e que você me rouba. Por fim, me espalho entre me deixar ser em ti e o tempo que demora até seus bilhetes acabarem. Sua presença acabar. Eu acabar.

Eu me virei e a sala que antes era de uma imensidão vazia e desolada, agora estava pequena. Lotada. Não, não. Não fora a sala que diminuíra, fora eu. Eu que ocupei cada pequeno espaço da casa. Me senti transbordar por cada vão, fresta.

E mesmo desproporcional a minha própria estadia, me sentia pequena em ti. Por deus, uma tatuagem em seu ombro quase imperceptível. Um pequeno desenho na tua pele, quase nem me noto em ti.

Ah, menina, esse caos começa a se traçar em mim. E tenho tanto receio de deixar-me desvincilhar de minha certeza, meus passos certos. Pois quem deixa-se tomar pela presença alheia corre o risco de se perder. Mas aceito, em cada poro meu, te aceito. Mesmo discordando e temendo e morrendo pelo teu mal-me-quer, eu aceito. Mais que isso, eu te recobro, te elucido, te teço entre dedos meus. Te respiro.

Porra. Morro de asfixia só para não te escapar. E os dias serão caóticos. Eu sei. Sei que deixei-me bordar e tingir tua pele, ainda que efêmera e mínima. Ainda que um pequeno rabisco, me acomodo em seus ombros e repouso num sem fim de tempo. Eu passaria a eternidade escorada em ti, te decorando.

Mas a vida me relembra que sou um desenho na terça parte do seu ombro. Uma tatuagem que se esconde entre seu afeto e seu suspiro. Sou um pedaço teu e você me é a moradia inteira.

Ainda que pouca, me contento pelo toque. Me deslizo na pele tua. Me afinco no ser presente, ainda que me baste os olhos, me sustento por ser parte da pele tua. Ainda que em parte, tua.

O retrato de bem-te-quer

Hoje a xícara virou e a toalha branca estampou uma macha aflitiva.

Hoje o café esfriou mais rápido.

Mais amargo, o cigarro queimou ligeiro. Queimou meus dedos. Marcou um traço n’alma.

Hoje eu desliguei a televisão. Nada teve som. Nem cor.

Nem eu.

Sua foto na parede me estampa a saudade apertada. Sua roupa esquecida me lembra que a casa está vazia.

Sua vinda me desabrocha um riso frouxo. E o medo agora me dá ojeriza. Não por ti, nem por mim. Mas por essa aflitiva necessidade de sentir. Sentir, porra.

Eu que há muito não sentia nada, nem tormento, nem um peito apaziguado. Não tinha sol ameno, nem tempestade enfurecida.

E agora sua foto está pendurada na parede. No peito. Meus olhos olham os olhos teus, e você sequer aqui está.

Agora o café frio, manchado na toalha branca me faz acender outro cigarro. Me faz buscar um vinho tinto. Logo eu que sempre detestei bebidas doces. Mas é só pra ver se alguma coisa me recobra os toques seus. Toques doces. Amenos.

E quando não me liga, não me vem, morro me consumindo. Há algum resto teu entre meus dedos. Três garrafas, cigarros e uma solidão retumbante no meu peito.

Mas tudo bem, tudo bem. Os dias também têm sido complicados. Mas logo tu me retornas. Retornas? Há de vir com sua paz, seu riso e seus olhos que me desconcertam. Me vem para que então eu me dê a paz, a calmaria? O sossego de teus braços e abraços?

Juro que me retomo a consciência. Juro que amanhã começo a comer direito, largo o cigarro, esqueço dessas bebidas que me ardem a garganta. Mas me vem. Não me abandona alta e fodida, debruçada nessa mesa manchada da sua ausência. Não me esquece escorada na falta que você me faz. Não me mata dilacerada pelo não te ter e não te saber e não me saber também. Porra, me descubro bordada em ti. E agora me desmancho na sua não presença.

Entre esse trago e esse gole, te suplico. Me precise. Um pouco, apenas um terço do que te preciso agora. Olha pra trás antes de partir só pra eu ter certeza de que você vai, mas quer ficar. Vai, mas me retorna. Só pela certeza de que, porra, você vai mas me leva.

Aos afetos embaçados que nos salvam da sórdida crueza

Ah, menina. Você agora me chega como um sussurro esperado. Como uma palavra não dita por dias sem fim, mas que se aguarda, por deus, como eu aguardei. Atinei os ouvidos, silenciei a casa, baixei a televisão já quase muda, só pra me ater a todos os sons. Por dias foi um silêncio insuportável.

Mas chegou. Num dia, entre um café e um cigarro, entre o sofá marrom envelhecido e minha alma desgastada, você surgiu. Não, não quero que soe como se você fosse uma presença alimentada e criada e esperada. Você foi um surpresa doce, ainda que sabida.

Mas te digo num afago desnorteado: me és como a falta de meus óculos. Um embaçar de mundo onde apesar de tudo continuar exatamente caótico, eu apenas foco no que há de mais próximo. E eu, que me resguardo, me enlaço ainda que muda aos meus afetos, mantenho próximo o que me há de ser amor.

Quando, por fim, você se aproxima, é seu timbre, sua estadia, seu embaralhar que me atenta.

Por deus, eu te escreveria sinais de meu âmago amante em cada pedaço teu. Te entregaria os afetos doces e calmos e sórdidos e. Não só isso. Eu te admito em instabilidade. Só eu sei como me é sofrível retirar minhas lentes, baixar meus óculos, perder-me da segurança e da nítida visão do mundo. Pois, porra, o amor se sustenta na turva visão de que tudo é um pouco mais afável do que de fato é.

E se eu tenho medo, te admito, morro sufocada na necessidade de não mais ter. Quando sua tez me é tangível, quando seus olhos piscam próximos aos meus, a euforia e o amargor me abraçam. Tenho medo de te tocar, ainda que a ânsia dos dedos meus me deixem eufórica. Então estico o braço e me atenho, me detenho, só pelo medo tolo de que você possa se esvair. Se desmanchar em minha frente. Então me sossego em te olhar, me mantenho num registro contínuo de quem tu me és. Seus olhos. Cada ensejo, contorno, cada detalhe que eu sequer hei de mencionar.

Mas, pequena, saiba que te decoro, te contorno, te teço e bordo em meu eu para que, dia após dia, você e toda a paz que me causou, me sejam cada vez mais presentes. Ainda que silenciosamente presente em ti, teu afeto me causa estragos internos que, deus, ainda não sei lidar.

Ah, minha pequena, por fim te confesso que não saberia dizer uma palavra sequer. Mas que cada segundo de paz que me causa é um universo que me pergunto se sou eu que te mereço. Um espaço brando que carrega meu riso após tua chegada e eu, mergulhada nesse afetuar-me a ti, me pergunto se posso enfim te tocar com todos os meus dedos e ensejos.

O silêncio que ainda mata

Dois anos e o que me mata ainda é a dor de antes. Sem data de validade, ela ainda fere e faz sangrar por dentro. Um dor dura, crua, que dilacera a parte minha que ainda sente. E o que eu sinto é só o costume da dor. Acho que depois que se morre não se sente nada mais.

Hoje os dias pesaram e o medo pesou e a memória de quem um dia morrera corroeu meus minutos.

Eu sei, pequena, eu sei como a gente se fecha pra dentro, como a gente odeia cada pedaço que nos define. Eu sei como é cansar de conviver com o que te mata e, por fim, tentar matar por fora o caos que te alimenta todo dia.

Ninguém vê teu inferno, menina. Ninguém me salvou no mês seguinte. Nem agora. E se me lembro da data, te juro que é por me causar uma sórdida agonia. Não queria saber. Não quero mais saber.

E minha desistência ainda é a mesma. Os anos não passaram.

às fotos e fumaças que te escondem de mim

A foto sua está embaçada, sem foco. Nunca aprendi a tirar boas fotos. Mas sua imagem borrada ainda é um esboço angustiante do meu bem querer. Você, tracejada e bordada nesse papel dobrado ao meio, que carrego por toda a vida em meu bolso, me é tão intimamente estranha todas as vezes que olho. Porra, ainda que a foto seja minha, ainda que eu mesma tenha feito esse retrato inebriante, ainda me parece um soco no estômago, uma surpresa incômoda perceber-te ali, me fitando com seus olhos calmos. Súplicas de segredo Te implorei, me conta. Não, porra, não, guarda seus segredos, todos os mistérios. Me resguarda com teus encantos, não me entrega as respostas. Porque, por deus, sei que se me conta tudo, tu vai embora. E eu morro. Eu juro que me dilacero, me desmancho num sem fim de pedaços. Então não conta. Não se entrega assim, ainda que eu me asfixie na incerteza de teu bem-me-quer. Me quer?

Me quer

Quer? Te pergunto e me findo na dúvida. Uma corda bamba. Um ritmo descompassado e a incerteza de te ter, mas ainda assim estou presa na absoluta e vulgar necessidade de ti. Vulgar pois me berra. Não sei afetuar-me em silêncio, em calmaria. Meus amores me comem os olhos, o corpo, a alma. Bem mais a alma. Me alimento, respiro e morro de frio abraçada em amor. Ainda que consumida pelas incertezas. E morro, por deus, morro todas as vezes que te vejo naquela fotografia um tanto amassada. Fui eu que tirei a foto? E seus olhos olhavam a mim ou a lente? Quem é que desvenda seus pecados, menina?

Passo horas absorvendo sua imagem. Te contaria cada detalhe meu, mas só teus olhos já me consumiram vinte vezes. E ainda tenho medo de te olhar. Nas últimas três noites todos os meus devaneios foram perdoados e eu entreguei meus segredos. Entreguei meus dias e minhas noites. Meus pequenos desejos e cada suspiro. Entreguei cada riso e agora eu me asseguro no medo de não saber mais me ser para continuar te sendo. Sendo o que mais você desejaria. Só deus sabe quantas vezes já morri e me reinventei apenas para ser a parte doce de quem amo.

Seus olhos, nessa foto escura. Você com seus olhos e dedos e alma inteira já me ocuparam os bolsos, contornaram meus pulsos, você adentrou a pele, me cobriu, vestiu, tirou a roupa. Você, em cem partes desiguais, me causou o desassossego de quem não tem pretensões de causar calmaria.

Mas, pequena, te peço, te imploro, se puder, se quiser ficar, ainda que sem me dar garantia alguma, fica. Ainda que me matando pela incerteza, mas fica. Pois o medo de te receber em segredos faz com que seus olhos de quem está prestes a partir me sejam bem vindos. Seus olhos, por deus, são seus olhos prestes a partir. Ou são olhos de quem nunca teve pretensões de chegar. Mas chegou?

A quem sequer morreu e continua

Os últimos dias me foram de uma aflição desmedida. Não havia bebida ou meditação que me desafogasse o peito. Os últimos dias foram de agonia desmantelada.

Ah, minha pequena, se você soubesse. Seu eu pudesse te dizer como tua presença me salvou. Ainda que eu mesma não soubesse as dores que me consumiam, você me chegou como calmaria em meio ao caos interno. Agora sei.

Por deus, abri o calendário e a data berrou aos meus olhos. E alma. Na verdade mais alma do que corpo. Daqui poucos dias, exala o calendário.

Te confesso – e confesso a ti pois você tem sido meu sossego retumbante -, que não compreendo quem anuncia que renasceu. Quantas vezes alguém pode morrer e continuar vivo? Nenhuma, eu arrisco. Eu morri. Morri quando entristeci, quando me tranquei em mim, morri quando fechei os olhos e dormi. Morri e não renasci. Não nasci de novo também. Morri e continuei vivendo.

Nada foi um grande recomeço e as feridas ainda me doem. Nada me libertou e, arrisco, as lembranças me prendem ainda mais. Mas continuei. Ora pela necessidade, ora pelas poucas rimas doces que a vida nos entrega quando ainda vivemos.

Daqui a poucos dias o dia em que morri retumba em mim. Não comemoro a sobrevivência. Também não marco os calendários. Ah, menina, eu sequer sabia o porquê desse meu peito ardido.

Mas esse ano a vida foi gentil. Me trouxe você, com suas aflições e caos, me trouxe você com seus dedos, toques e timbre rouco. Trouxe você para lembrar-me que, ainda tendo morrido um milhão de vezes, avida ainda surpreende.

Te entrego minhas confissões, meus dias e minha noite, meu calendário. Te entrego a essência, o amor. Te entrego meus ensejos e te imploro pra me entregar a paz. A estadia e a presença. Se puder, fica. Fica pois os calendários estão repletos e você me ocupa os olhos.

um buraco ardido no peito e nenhum sinal de calmaria

Queria escrever, mas a bebida era amarga. Não se escreve com bebidas amargas.

Queria escrever, mas a televisão muda me roubava a atenção. Depois quis escrever e o cigarro acabou. Tentei falar, mas a casa vazia me roubou a voz. No fim da noite me peguei no terceiro rascunho sem nome, sem letra. Eram folhas brancas pra você, mas não tinham nenhum pedaço seu para ler.

Tentei escrever e a folha ficou pequena pros meus anseios.

Pois agora me escoro nesse sofá manchado de descaso, repouso copos nos meus vazios, me deixo cair entre as marcas das ausências.

Mas não era assim. Os dias não eram emudecidos, os tempos não eram períodos de desgaste.

Os telefones eram de toques escandalosos. A música era alta. Eu me alimentava de letras e frases e linhas todas. Cheias de escárnio, cheias da certeza de que você partiria, mas ainda assim válidas de serem escritas. E agora é o vazio e a ausência de me consomem. A certeza de que já fui tão repleta e estonteante, agora sou uma necessidade de escrever, mas a incapacidade de fazer-me entender.

O telefone é mudo. Retiro ele do gancho só pelo certeza de que ainda funciona. E funciona. Sem sua voz. Sem suas ligações às três da manhã. Por deus, eu amei a ponto de dormir nesse sofá esperando suas ligações. E eu atendia. Eu atenderia por toda a vida. Só que você deixou de ligar. Ainda sabe meu número? Porra, ainda sabe quem sou? Pois eu não sei. Não sei mais nada de mim. Me perdi em mil pedaços depois que você atravessou a porta. Me desfiz em uma centena de dores e me deixei carregar pelo vento, pelo choro, pelo medo. Tive um medo danado. Agora tenho bebidas amargas. Tenho um resto de mim jogado no chão. Tenho frio e nenhuma coberta. Tenho sono e nenhum travesseiro. Tenho m. Nenhum sinal de você.

O cigarro apagou e você não vai me ler.