O silêncio que ainda mata

Dois anos e o que me mata ainda é a dor de antes. Sem data de validade, ela ainda fere e faz sangrar por dentro. Um dor dura, crua, que dilacera a parte minha que ainda sente. E o que eu sinto é só o costume da dor. Acho que depois que se morre não se sente nada mais.

Hoje os dias pesaram e o medo pesou e a memória de quem um dia morrera corroeu meus minutos.

Eu sei, pequena, eu sei como a gente se fecha pra dentro, como a gente odeia cada pedaço que nos define. Eu sei como é cansar de conviver com o que te mata e, por fim, tentar matar por fora o caos que te alimenta todo dia.

Ninguém vê teu inferno, menina. Ninguém me salvou no mês seguinte. Nem agora. E se me lembro da data, te juro que é por me causar uma sórdida agonia. Não queria saber. Não quero mais saber.

E minha desistência ainda é a mesma. Os anos não passaram.

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