Eu me virei e a sala que antes era de uma imensidão vazia e desolada, agora estava pequena. Lotada. Não, não. Não fora a sala que diminuíra, fora eu. Eu que ocupei cada pequeno espaço da casa. Me senti transbordar por cada vão, fresta.

E mesmo desproporcional a minha própria estadia, me sentia pequena em ti. Por deus, uma tatuagem em seu ombro quase imperceptível. Um pequeno desenho na tua pele, quase nem me noto em ti.

Ah, menina, esse caos começa a se traçar em mim. E tenho tanto receio de deixar-me desvincilhar de minha certeza, meus passos certos. Pois quem deixa-se tomar pela presença alheia corre o risco de se perder. Mas aceito, em cada poro meu, te aceito. Mesmo discordando e temendo e morrendo pelo teu mal-me-quer, eu aceito. Mais que isso, eu te recobro, te elucido, te teço entre dedos meus. Te respiro.

Porra. Morro de asfixia só para não te escapar. E os dias serão caóticos. Eu sei. Sei que deixei-me bordar e tingir tua pele, ainda que efêmera e mínima. Ainda que um pequeno rabisco, me acomodo em seus ombros e repouso num sem fim de tempo. Eu passaria a eternidade escorada em ti, te decorando.

Mas a vida me relembra que sou um desenho na terça parte do seu ombro. Uma tatuagem que se esconde entre seu afeto e seu suspiro. Sou um pedaço teu e você me é a moradia inteira.

Ainda que pouca, me contento pelo toque. Me deslizo na pele tua. Me afinco no ser presente, ainda que me baste os olhos, me sustento por ser parte da pele tua. Ainda que em parte, tua.

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