Um tracejo menor que nada

Lá fora chove. Ou aqui dentro. Já não sei mais definir o que tem desaguado em mim. Os tons feios e os espaços escuros são manchas constantes em meus dias. Mentira. Os dias se acumularam e a tristeza se instaurou em mim há meses. Nenhuma luz tem recostado em minha pele.

A chuva faz um barulho que agoniza, enquanto isso tudo em mim é despedaçado. Um tracejo menor que nada, quase um estilhaço d’alma.

Alma. Quase não resta. Minha euforia incia em dias incertos e logo se consome. Me consome. Passo dias presa nessa fresta que me salva do meu abismo. Por deus, isso que me sustenta e me impede de cair é também o que me amarra, cerca. Minhas feridas não cicatrizam e em meus pulsos estão penduradas as dores de três vidas e nenhuma paz.

A tristeza se mistura ao escuro e tudo vira um breu pesado demais. Sobe pelos meu dedos, pulsos, braços e me embala pela noite. Uma música sofrida. Um som mudo que me tampa os ouvidos. Vou ouvindo pra dentro, cada vez mais fundo em mim. Cada vez mais ensurdecedor. Meu peito dói pelo silêncio que não vem. As noites são longas e os dias quase nunca nascem.

Os braços frios dos poemas de morte se misturam ao alcance das garrafas e cigarros e drogas e calmantes. Porra, e qualquer coisa que me afaste de mim.

Não tem mais luz. Na rua acabara há pouco. Em mim nem lembro mais.

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