Buk, poemas e cigarros

Odeio poemas. Odeio pela minha incapacidade de tomar ritmo. Pela minha ânsia de adquirir rotina entre as linhas.

Poemas começam sem sentido e, no auge da sua compreensão, eles se rompem. Acabam. Um fim certo que virá na próxima linha. Duas ou três, mas não mais do que isso.

Eis que são 3 da tarde de uma quarta feira e meu peito estraçalha-se entre poemas sujos de um velho bêbado. Bukowski falou de amor em 50 páginas diferentes, todas de modo cru, feio, vulgar. Falou de amor bêbado, fumando 24 cigarros e vomitando entre as meias e os batons esquecidos de mulheres que amou. Bukowski nunca enganou, romantizou ou decorou suas linhas. Falou de modo duro e grotesco. Falou de amor. E nenhuma das suas páginas soa pesada e má e feia.

Li 5o poemas de bukowski e em meio ao cigarros dele e os meus, e a cerveja dele e a minha, e entre o blue bird dele e o meu que eu, incansável, tento calar em meu peito, eu continuo morrendo da dor dele.

Ninguém escreveu poemas sujos com tanta dor. E Buk falou da dor com afinco e peso e. Oitenta tons de amor misturados às manchas de vinho ruim. Oitenta linhas que se misturam em meus cigarros e.

Buk é uma boa companhia em tardes de agonia.

Sua cerveja e seus cigarros e seu vinho ruim. Seu modo de maldizer o amor.

São 3 da tarde e meu último cigarro significa que não posso mais ler poemas, meu velho.

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