.fim

Mando essa carta pra lugar algum, numa sôfrega esperança de que alguém – um alguém – me veja, me leia, me salve.

São 3 da manhã e meu último cigarro se esfalece em brasa no cinzeiro. São 3 da manhã e eu ainda faço poesia ruim com tudo que me mata.

Não há cigarros que me acalmem, bebidas amargas ou cafés que me ocupem as mãos. Há tempos nada mais me ocupa. Me distrai. Me submerge em mim.

São 3 da manhã, porra. E meu vazio destroçou meu peito, minha faísca apagou junto ao cinzeiro e o rádio não toca mais nada. Nenhuma literatura, nenhum sentido.

Idolatrei seis mortes em mim e nenhuma foi capaz de me levar. Agora me debruço no que restou desse meu eu insólito depois da euforia, da paz, do desejo. Me debruço no que restou dos meus sonhos, meu futuro, dos toques que agora não mais tocam, nem tecem sentido algum.

São 3 da porra dessa manhã, e ninguém aqui ao lado. Lá fora todos dormem e ninguém me resgatou. Mas dizem que depois da meia noite os sentidos são carreiras vazias dentro da gaveta: uma ilusão e nenhuma calmaria.

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