despoeme (se)

Se estiveres atento e por um minuto
apenas
tenha me visto além dos risos
falsos e
contornos amenos,

sei que reparou nos buracos d’alma, nos
monstros em meus bolsos, sei que
percebeu o peso dos fantasmas.

Escrevo sobre flores mortas e amores
abandonados.
Você pode estar nas pétalas caídas e eu
nos abandonos constantes

Ou, quem sabe, seja eu os cigarros
mal acabados, as bebidas amargas, seja eu
a porta esquecida entreaberta.

Me sinto uma flecha cega
Me sinto uma lança perdida entre o arqueiro e o alvo

Perdidos entre árvores e
telas
e dias cinzas

São flechas tortas, alvos nulos e
ninguém treinou a mira e
ninguém acertou o alvo

Meu peito foi atravessado pelo desamor comprimido e
estilhaçado e
se partiu em cem fragmentos incoláveis
Inaudíveis em cada caco caído ao chão
E invisíveis estilhaços que juntos era eu

E eu quem sou?
E eu

Silêncio
Silêncio
Silêncio

Morri e sequer fiz a falta que alguém me fez
Não fui nada
Morri muda

E meu socorro ainda ecoa nas linhas tortas. Mas ninguém sabe ler um rabisco de sangue.

 

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