Suas flores caíram ao pé da mesa. Suas palavras resvalaram em uma quase muda confissão, e você não veio. Pequena, te faço confissões sem fim. Busco seus olhos e seus risos frouxos e todo o encanto que me entrelaçou as pernas.

Te decoro em um sem fim de gestos, e por deus, te aceito. Sem cobrança alguma. Te aceito em demoras ou estadias, em vontades de ficar ou visitas escassas. Mas te preciso.

Pequena, os dias correram mudos e eu me tingi cada vez mais de seus tons. Agora tenho sua aparência,  seu ritmo, danço pela casa ao som de seu timbre. Não sei querer em calmaria. Busco os olhos e devoro corpo e alma dos meus afetos. Te engoli. Te dei moradia em meu corpo e cerne, e não restou nenhum pedaço meu. Sou toda afeto por ti.

Então te aceito em seus defeitos. Tomo suas palavras vagas. Recebo suas poucas vindas ou sua inesperada vontade de mim. Vibro com suas confissões e, por fim, me dilacero quando seus cigarros já não queimam ao lado dos meus.

Quado a casa fica muda, quando suas respostas soam indiferentes, quando seus dias correm longos longe de mim. Não que sua ausência me seja desoladora, mas é o seu não estar em mim que me mata. Pois, porra, posso viver dias sem fim de amor por ti em distância. Mas não posso suportar você não estar, com todos os seus toques e entranhas, em mim. Aceito que não esteja, mas não suporto. Aceito, mas não respiro. Aceito, mas não floresço.

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