Dois ecos mudos

As portas ficaram entreabertas e as luzes não foram acesas quando você entrou. Tudo bem, o silêncio diz muita coisa. Meus olhos se acostumaram ao seu breu, mas as janelas rangem em algum lugar dessa casa. Qualquer barulho, ainda que pequeno, ainda que sutil, rasga em irremendáveis abismos as certezas que nos cercam. Mas tudo bem, o silêncio ainda diz muita coisa.

Mas quem entra tem, ou deveria querer ter, a delicadeza de acender as luzes e anunciar a estadia. Você me adentrou no mais íntimo ensejo de meu peito, mas não soube ouvir o caos que me fez. Meu afeto berrou em timbres estrondosos. Dois ecos mudos, o meu abafado e o seu persistente no não se fazer ouvir. Em você ainda é silêncio. Ele diz muita coisa, não é?

Pequena, te bordei traços doces. Te escrevi mil linhas em cada folha branca. E me desculpo pois os vazios são ecos incômodos em meus afetos. Vou caligrafando linhas de amor e encanto e. Linhas que, por deus, você não viu pois as luzes permaneceram apagadas. Tu não soube dos espaços afáveis que havia na sala para dançarmos. Para você não havia música. Os silêncios dizem muita coisa. Inclusive nada.

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