decoro teu timbre. Suas memórias e mais nada

Meu cabelo quase seco respinga o perfume teu. Meus banhos quentes não bastam pra lavar minha alma da alma sua. Meu corpo do corpo seu. Têm três pesos em cima da mesa e todos eles me destroçam o peito. Todos são bordados da certeza de que você é uma essência pura demais pra mim. Bom demais pra mim. Não te basto e, mais do que isso, não me basto por não ser suficiente em mim. Me reduzo aos mínimo encantos, me transformou num reduto eco de mim e, por fim, só sei ser afeto por ti.

Ainda que o mais puro afeto que posso ser, sei que não lhe basto. Por mais límpido e ávido ensejo de te ser e te tocar e, por deus, ser qualquer coisa, um cigarro entre seus dedos que há de morrer consumido pela brasa, mas ainda consumido por ti.

Então te olho de soslaio e guardo teus risos frouxos e trejeitos doces. Guardo pra me alimentar quando sua presença for saudade. Porque será. Porra, será. Guardo teus olhos bons e decoro teu timbre. Suas memórias e mais nada.

Te contorno só mais uma vez no último minuto. E hei de passar dias sem fim me  redesenhando em ti. Toques, timbres e um tilintar inteiro de você. 

Mas você, afincado na mais pura certeza de quem é me causa um caos sem fim. Não me resta mais nada a não ser o abandono teu para que eu consiga ser quem te basta. 

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