Eu quis escrever alguma coisa, coisa qualquer que, por deus, me desafogasse o peito, a alma. Alguma besteira caligrafada numa folha velha e respingada de café, um rascunho sujo, só para ver se dividiria o peso com o papel. Não houve papel o suficiente pra aliviar a alma. Porque se vai escrever, que seja pra desafogar a dor ardida da vida, do amor, da morte. Que seja sobre um fantasma pesado demais para aliviar com cafés e cigarros. Se vai escrever, uma linha que seja, que tenha toda a ojeriza ou perene amor que há nessa vida. Tem que vir do mais sujo canto da alma. Pois escrevo numa ânsia sôfrega de me desfazer de mim. Você quer? Você leva um pedaço meu, pois já não suporto esses excessos. Meu eu me asfixia e meus fantasmas se debruçaram nos meus olhos. As sombras que vejo têm tons de melancolia.

Mas escrevo essas poucas palavras jogadas, pisadas e mal digeridas. Frases soltas encobrindo uma dor que berra em mim e sequer ouso pronunciar. Todo o meu eu teme romper os momentos de paz, pois qualquer desdém me acomete. Me tampa os olhos, pesa os ombros. O meu não estar se aloja em meu estômago e eu morro da fome de ser alguma coisa qualquer, só pela vontade de ser.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s