Atirei o corpo e o resto todo pela janela. Não havia muito mesmo. Mais medo do que alma, mais desencontro do que qualquer esboço de caminho. Atirei pela janela um sem fim de tracejos de vida e um inexorável medo de vivê-la.

Tenho estado à beira de mim mesma a tanto tempo que sequer vejo o que me cerca. Não faço mais ideia das correntes que me seguram aqui. Não olhei as amarras que marcaram a pele. Não olhei se cai sozinha ou meus abismos todos vieram junto. Me atirei da janela pra tentar me tirar de mim, mas nenhuma poesia falou sobre os abismo livrarem os corpos dos suplícios de ser exatamente o que se é. E tão somente caberá a mim me ser e saber ser. Se é que ainda me cabe ser alguma coisa qualquer.

Meus abismos tão mais fundos e o vazio mais pungente e a dor mais exposta. Me atirei da janela, caiu mais alma ferida do que corpo. Caiu mais dor de alma. Meus abismos caíram todos juntos a mim. Me atirei da janela, sem corpo e sem alma.

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