Fenecer

Posso sentir a dor tão latente e imensurável que chego a vê-la serrando os pulsos meus. Posso sentir a agonia vendar os olhos meus e me ensurdecer por dentro. Nessa noite eu ouvi a solidão e a tristeza se aproximarem em passos lentos e suspiros aflitivos. Essa noite eu não dormi.

Se eu tivesse ainda algum resquício de força ou alma, eu pediria esperança para persistir. Ainda que houvesse apenas alma, eu pediria resistência, um dia mais leve, um motivo para me fazer crer num riso calmo. Mas não há. Não há mais porra alguma além desse meu eu inóspito, vazio, agudo e podre. Nada além de um corpo ferido, uma alma perdida, uma mente cansada. Minhas cicatrizes todas sangram nessa folha meio suja, meio amassada. Minha alma toda se estilhaçou pelas calçadas frias. Se houvesse fé, ainda que pouca, eu pediria menos dor. Mas como tudo que resta sou eu, eu me encaro no espelho esperando não ver mais nada, pois o que reflete me causa agonia.

Nessa noite, tudo que me resta é contar os passos lentos do caos que me toma.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s