Morrer não dói

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O dia amargo está queimando minha pele como a brasa de um cigarro. A memória desses dias vazios tem me ardido os olhos e não resta nenhuma felicidade, fé ou futuro em mim. Mas não é sobre isso que quero falar, menina.

Olhe só, entre minhas dores e vazios imensos, me deparei com essa foto. Ah, tu sabe como admiro essa mulher. Entre meus livros biográficos e sua foto pendurada em minha parede, alimento um afeto estranho, daqueles que só são possíveis quando destinados à gente morta.

Amo Marilyn e todas as mulheres por trás dela. Amo Norma Jane e toda as dores dentro dela. Sua feição inocente, seus traços apaixonantes, sua carência exalando entre as linhas de seu riso quieto e seus olhos presentes. E o modo como Norma Jane se transforma em Marilyn com seu riso sordidamente encantador, sua vida, sua presença toda.

Porque eu vejo a dor da solidão vestida em Norma e vejo o batom de Marilyn. Eu vejo o medo de uma menina abandonada e mal amada ser encoberto pelos brilhos e tons de vermelho veludo de uma mulher criada para ser tudo que Norma não é. Ainda que seja.

Eu poderia olhar para essa transição da inocência de uma menina mal amada para a certeza de uma conquista do mundo por um sem fim de horas. Eu não sei quem matou essa mulher, se Marilyn ou Norma, mas a dor estava lá. Eu não sei quem doeu e quem resistiu. Morrer não dói.

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